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Governadora do DF pede aval da gestão Lula para empréstimo ao BRB

28/04/2026
Em ECONOMIA
Governadora do DF pede aval da gestão Lula para empréstimo ao BRB

Banco de Brasília enfrenta crise de capital e de liquidez por operações com Master; Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), formalizou o pedido de ajuda à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para destravar um empréstimo de socorro ao BRB (Banco de Brasília). A instituição enfrenta uma crise decorrente de operações fraudulentas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O governo do Distrito Federal enviou nesta terça-feira (28) um ofício ao Tesouro Nacional solicitando aval do governo federal para avançar nas tratativas com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pelo empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

“A iniciativa integra as medidas que vêm sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB”, disse a atual gestão em nota.

Sem os recursos necessários em caixa para fazer o aporte no BRB, o governo distrital recorre a um processo de captação. No entanto, o Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro, o que daria condições mais benéficas para o empréstimo, como uma taxa de juros menor.

O ex-governador Ibaneis Rocha fez um pedido de R$ 4 bilhões ao FGC, e a atual gestão demandou um complemento de R$ 2,6 bilhões. Esse é o plano A do BRB para sair da crise.

Em evento na manhã desta terça, Celina disse que a proposta foi elaborada seguindo as exigências feitas pelo Banco Central e será levada para avaliação do ministro Dario Durigan (Fazenda) e do presidente Lula.

“É um gesto formal, mas a gente espera que seja acatado também pelo presidente. Até pela formalização, porque toda a garantia, está tudo está sendo seguido conforme aquilo que nós havíamos encaminhado para o Banco Central. Eu tenho certeza que nós seremos atendidos”, afirmou a governadora.

“É uma questão institucional grave, que precisa ser vista com a institucionalidade desse momento, com o respeito desse momento, sem qualquer questionamento ideológico”, acrescentou.

A governadora do Distrito Federal solicitará uma audiência com Lula para a próxima quinta-feira (30). No encontro, ela deve ser acompanhada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e pelo secretário de Estado de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.

Em entrevista ao C-Level, videocast semanal da Folha, o presidente do BRB admitiu a necessidade de ajuda do Tesouro para viabilizar a operação solicitada ao FGC e a um grupo formado por grandes bancos.

“Eu defendo que, em nome do sistema financeiro brasileiro, pudéssemos ter o aval”, disse. “Creio que possamos chegar a um entendimento. Acredito que vamos evoluir para isso.”

O CEO reconheceu que o ano eleitoral tem dificultado a costura de uma solução. Celina pertence a um campo político adversário do PT em Brasília e é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado. “Nós já poderíamos estar lá na frente caso tivesse despolitizado um pouco tudo isso”, disse.

No último dia 30 de março, a governadora debateu o tema com o ministro da Fazenda por telefone. Sem avanço nas discussões, ela chegou a falar em má vontade do governo federal. “Não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Pedimos tudo, acho que não tem a boa vontade de fazer”, disse.

Segundo relatos ouvidos pela Folha, na ligação com Dario, Celina demonstrou interesse em avançar na interlocução com o governo Lula e sinalizou que iria aderir ao subsídio do diesel importado. Seu antecessor, o ex-governador Ibaneis Rocha, havia informado que o Distrito Federal não participaria da iniciativa do governo federal.

Em aceno ao governo Lula, Celina encaminhou nesta terça à Câmara Legislativa do Distrito Federal o projeto de lei que autoriza o Executivo a cooperar com a União na subvenção aos importadores e distribuidores de diesel de uso rodoviário.

A cada R$ 1,20 por litro, R$ 0,60 ficará a cargo dos estados e R$ 0,60 a cargo da União. Segundo o texto, o impacto financeiro máximo para o Distrito Federal está estimado em R$ 11,6 milhões.

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Fonte: Gazeta Mercantil

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