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China reforça capacidades militares no Espaço, diz Financial Times

28/04/2026
Em TECNOLOGIA
China reforça capacidades militares no Espaço, diz Financial Times - img

Análise do Financial Times aponta avanço de tecnologias capazes de atacar satélites, em meio à rivalidade com os EUA e ao risco crescente de conflitos em órbita que podem afetar comunicações, defesa e infraestruturas na Terra.

Uma análise do jornal Financial Times aponta que a China vem ampliando suas capacidades militares no espaço, incluindo o desenvolvimento de tecnologias capazes de capturar ou até destruir satélites. O movimento ocorre em meio à crescente rivalidade com os Estados Unidos e ao aumento do risco de conflitos fora da Terra.

Documentos militares e dezenas de estudos ligados ao Exército de Libertação Popular (ELP), analisados pelo jornal britânico, indicam uma estratégia que vai desde operações de proximidade entre satélites até ataques a infraestruturas espaciais e, em um cenário extremo, alvos na superfície terrestre.

“Hoje, ao olhar para o céu, vemos que o espaço já está envolto na fumaça de um potencial conflito”, escreveu o especialista militar chinês Jiang Lianju em um manual de 2024, citado pelo Financial Times. Ele acrescenta que o controle do espaço representa “um poderoso incentivo estratégico e militar”.

A análise destaca que potências como Estados Unidos, China e Rússia já realizam operações de aproximação entre satélites, usadas para manutenção, mas também com potencial ofensivo. Esse tipo de manobra já foi classificado por autoridades americanas como uma forma de “combate aproximado no espaço”.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, o domínio espacial se tornou essencial para as capacidades militares modernas, incluindo comunicação, navegação e sistemas de comando. Isso aumenta o risco de que ataques em órbita possam comprometer infraestruturas críticas na Terra.

Para Howard Wang, pesquisador do think tank Rand Corporation, a estratégia central do ELP é atingir pontos-chave das redes do adversário para “paralisar” a tomada de decisões em toda a cadeia de comando, desde a coleta e transmissão de dados até sua análise.

Pequim também investe em tecnologias como lasers, sistemas de interferência eletrônica (jamming) e satélites capazes de deslocar outros objetos para órbitas diferentes, além de desenvolver capacidades de reabastecimento e captura em órbita.

Um exemplo citado é o satélite chinês Shijian-21, que em 2022 utilizou um braço robótico para rebocar um satélite desativado para uma órbita mais distante, demonstrando uma capacidade que gerou preocupação entre autoridades militares americanas.

Mais recentemente, satélites chineses realizaram manobras coordenadas em órbita geoestacionária, comportamento que os Estados Unidos compararam a exercícios de combate.

A investigação indica ainda que a doutrina militar chinesa prevê diferentes fases em um eventual conflito espacial, incluindo ações de dissuasão, como demonstrações públicas de capacidade, reposicionamento de satélites, bloqueios espaciais e ataques a sistemas inimigos.

Essas operações podem envolver interferência eletrônica, ataques cibernéticos ou o uso de armas de energia dirigida, com o objetivo de degradar sistemas de comunicação e comando sem provocar uma escalada imediata.

Em estágios mais avançados, os cenários analisados pelo ELP incluem a destruição direta de satélites e até ataques a infraestruturas terrestres a partir do espaço, refletindo uma integração crescente entre os domínios espacial e militar tradicional.

A corrida espacial militar também ganha força na órbita baixa da Terra, impulsionada pela proliferação de satélites em constelações como a Starlink, o que está transformando o cenário estratégico global.

Segundo Howard Wang, tanto Washington quanto Pequim buscam aumentar a resiliência de seus sistemas espaciais, ampliando o número de satélites para reduzir a vulnerabilidade a ataques.

A China planeja lançar mais de 37 mil novos satélites até 2030, com o objetivo de consolidar sua posição nesse setor e acompanhar os avanços dos Estados Unidos.

“Estamos em um ambiente em que ninguém jamais travou uma guerra. O potencial de algo dar errado muito rapidamente é enorme”, afirmou um oficial militar ocidental ouvido pelo Financial Times.
 
 

 

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