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Dólar fecha a R$ 5,648, menor nível em cinco meses; Bolsa sobe

29/09/2025
Em ECONOMIA
Dólar fecha a R$ 5,648, menor nível em cinco meses; Bolsa sobe - img

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar caiu 0,44% e encerrou a quarta-feira (19) cotado a R$ 5,648 -menor patamar desde 14 de outubro de 2024, quando terminou em R$ 5,582.

O dia foi pautado pela manutenção da taxa de juros norte-americana por parte do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e pela expectativa em torno da decisão do BC (Banco Central) sobre a taxa Selic, a ser divulgada às 18h.

A moeda acelerou queda após o parecer da autoridade dos EUA. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,632; na máxima, a R$ 5,693, ainda nos primeiros negócios da sessão.

Já a Bolsa teve mais um pregão de ganhos firmes e subiu 0,78%, a 132.508 pontos.

O Fed decidiu manter a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa de 4,25% e 4,50%, no que foi a segunda manutenção consecutiva pela autoridade monetária. A decisão, já esperada pelo mercado, ocorre em meio a temores de uma recessão, influenciados pelas políticas voláteis dos primeiros dois meses do novo mandato de Donald Trump.

No comunicado, os dirigentes do Fed afirmaram que as incertezas sobre o cenário econômico cresceram, mas que os objetivos seguem sendo atingir o pleno emprego e convergir a inflação à meta de 2%. O “dot plot”, no entanto, mostrou que as políticas de Trump já começaram a entrar na conta dos membros do comitê.

O documento que apresenta as projeções dos dirigentes para a economia trouxe uma diminuição nas expectativas de crescimento do PIB este ano, de 2,1% para 1,7%. As de inflação, por outro lado, cresceram de 2,5% para 2,7%.

O dot plot informou, ainda, que os oficiais do Fed esperam mais um ou dois cortes de 0,25 ponto na taxa este ano -o mesmo que em dezembro. No entanto, quatro membros do comitê agora esperam que nenhum corte ocorra este ano, contra um em dezembro.

É uma postura cautelosa diante das incertezas econômicas geradas pelas políticas do governo Trump, como tarifas comerciais e alterações no gasto público”, diz José Cassiolato, sócio da RGW Investimentos.

O presidente norte-americano impôs tarifas sobre importações chinesas e compras de aço e alumínio -com ameaças de mais taxas à frente-, intensificou o controle da imigração e iniciou um processo de demissões em massa de funcionários do governo federal.

Para economistas ouvidos pelo Financial Times, a incerteza em torno das tarifas de Trump complicou a tarefa do Fed em enviar uma mensagem clara sobre a direção da economia. Nos últimos anos, o banco vem insistindo que é “dependente de dados” e se concentra mais nos últimos números de inflação e crescimento, em vez de modelar o futuro.

Alguns economistas, no entanto, temem que a dependência de dados retrospectivos coloque o Fed em desvantagem em um ambiente de crescente incerteza política e econômica, especialmente porque as pressões de preços induzidas por tarifas podem demorar para se refletir nos dados.

Até o momento, os indicadores mais observados pelo Fed sobre inflação e desemprego ainda não registraram um grande impacto dos planos de Trump. A taxa de desemprego subiu para 4,1% em fevereiro, a economia criou 151 mil postos de trabalho e a inflação continua acima da meta de 2%.

Segundo economistas, as medidas de Trump elevar os preços de uma série de produtos e provocar incertezas nos consumidores e empresários, que segurariam gastos e investimentos. O cenário desenhado é de uma “estagflação”, isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

Em entrevista coletiva após a decisão, Jerome Powell, presidente do Fed, avaliou que é “muito cedo para ver efeitos significativos das tarifas”, mas que “o progresso na inflação pode ser adiado por causa delas” e que “boa parte das projeções de alta derivam da política tarifária.

O potencial inflacionário das medidas de Trump pode forçar a manutenção da taxa de juros em patamares elevados por mais tempo, o que costuma desestimular a procura por ativos de risco.

Mas, no caso do Brasil, a tese pode não se concretizar. Quanto maior a diferença entre os juros daqui e os de lá, melhor para o real, que se torna mais atraente para investimentos de “carry trade” -quando investidores tomam empréstimos a taxas baixas e aplicam recursos em moedas de países de taxas altas, para rentabilizar sobre o diferencial de juros.

Essa diferença provavelmente irá aumentar nesta quarta, com um aperto de 1 ponto percentual na taxa Selic por parte do Copom (Comitê de Política Monetária). Os juros chegarão ao patamar de 14,25% ao ano, como sinalizado pelo próprio colegiado na reunião anterior, em decisão que será publicada após o fechamento dos mercados, às 18h.

“Essa será a última decisão seguindo o guidance [indicação] da gestão de Roberto Campos Neto. O mercado está dividido quanto ao tom do comunicado: alguns acreditam que manterá a sinalização de novas altas, ainda que em um ritmo menor, enquanto outros esperam que Gabriel Galípolo deixe a decisão em aberto para a próxima reunião, sem antecipar cortes ou novos aumentos”, diz Márcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.

Dólar fecha a R$ 5,648, menor nível em cinco meses; Bolsa sobe

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