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EUA pressionam Zelenski a aceitar plano; Europa tenta reagir

21/11/2025
Em MUNDO
EUA pressionam Zelenski a aceitar plano; Europa tenta reagir - img

Donald Trump pressiona a Ucrânia a assinar acordo de paz com a Rússia até 27 de novembro, sob ameaça de corte no fornecimento de inteligência e armas. Zelenski busca apoio europeu para preservar soberania, enquanto os termos favorecem Moscou e limitam forças ucranianas em meio a avanços russos no front.

(CBS NEWS) – O governo de Donald Trump pressiona a Ucrânia a aceitar o acordo de paz desenhado em conjunto com a Rússia para encerrar o conflito disparado pela invasão de Vladimir Putin em 24 de fevereiro de 2022.

Segundo vazamentos da Casa Branca a meios de comunicação ocidentais, como a agência de notícia Reuters, o republicano quer ver os 28 pontos do acordo assinados por Volodimir Zelenski até a quinta-feira da semana que vem (27).

Se isso não ocorrer, dizem autoridades americanas, o país pode cortar o fornecimento de informações de inteligência vitais para Kiev lutar sua guerra, como imagens de satélite com movimentos de tropas e monitoramento de lançamento de mísseis e drones.

O suprimento de armas, que hoje só chegam por meio de reduzidas compras feitas por países europeus de equipamento dos EUA, também será vetado. Na prática, tudo isso pode dificultar muito a defesa da Ucrânia, já sob intensa pressão em três pontos da frente de mil quilômetros de extensão.

Cercado, Zelenski buscou apoio dos aliados europeus, que foram deixados de lado por Trump na negociação com os russos para pôr fim ao conflito mais sangrento em solo europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Ele participou de uma conversa telefônica com o presidente francês, Emmanuel Macron, e os premiês Keir Starmer, do Reino Unido, e Friedrich Merz, da Alemanha. Segundo a chancelaria em Berlim, todos concordaram que a Ucrânia tem de se manter soberana e reter capacidade de defesa.

Zelenski, por sua vez, afirmou que irá trabalhar para ter os “princípios da Ucrânia” respeitados no acordo, que é amplamente favorável ao Kremlin -a única concessão maior de Putin foi ceder um terço dos US$ 300 bilhões em reservas externas congeladas para a reconstrução do país invadido.

No mais, pelos termos colocados a Ucrânia perderá cerca pouco mais de um quinto do seu território e terá as Forças Armadas limitadas a 600 mil soldados, 40% a menos do que têm hoje em combate. Ficará proibida de ingressar na Otan e de ter militares da aliança ocidental em seu território, assim como aviões de combate.

Após a ligação, Macron afirmou que os líderes concordaram que qualquer conversa a partir de agora terá de ter a participação da Ucrânia, da União Europeia e da Otan, já que o futuro do continente depende do arranjo de paz mais amplo proposto no acordo.

É o que o francês e outros podem fazer, dado que os termos em si já estão na mesa. Como muitos deles são vagos, há espaço contudo para negociações. O site americano Axios, por exemplo, diz que as garantias de segurança que não são detalhadas na proposta podem incluir uma cláusula de defesa da Ucrânia semelhante ao mecanismo da Otan de assistência mútua em caso de ataque.

A situação do ucraniano, de todo modo, é grave. Ele está sob forte pressão doméstica após a descoberta de um desvio de US$ 100 milhões no setor de energia do país, escândalo que derrubou dois ministros.

No campo de batalha, os russos tomaram a estratégica Kupiansk, em Kharkiv, e nesta sexta conquistaram cinco vilarejos em Donetsk. Em Zaporíjia, no sul, as forças de Putin fizeram avanços rápidos devido ao enfraquecimento da defesa de Kiev, que foi obrigada a mandar reforços para o leste.

O Kremlin tem buscado distância do debate público. O porta-voz Dmitri Peskov afirmou nesta sexta que o país ainda não foi informado oficialmente dos 28 tópicos do acordo, um diversionismo, e que não irá fazer comentários para não atrapalhar as negociações que foram conduzidas de seu lado pelo chefe do fundo soberano do país, Kirill Dmitriev.

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