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Operação policial de Milei desinfla manifestação uma semana após ato violento

24/06/2025
Em MUNDO
Operação policial de Milei desinfla manifestação uma semana após ato violento - img

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Um novo protesto contra o governo de Javier Milei ocorreu na capital argentina nesta quarta-feira (19). A tensão que se anunciava por possíveis cenas de violência, porém, desinflou na medida em que a grande operação policial manteve os manifestantes isolados.

O ato é mais uma versão reciclada da marcha dos aposentados, que todas as quartas-feiras protestam no Legislativo por melhorias nas pensões. No último dia 12, o ato foi reforçado. Diversos setores, entre eles as torcidas organizadas de futebol, somaram-se.

As imagens de confronto entre manifestantes e policiais da edição passada não se repetiram. Fotos aéreas mostravam menos pessoas havia pouca presença das torcidas organizadas, que participaram da outra vez, com maior concentração de organizações de esquerda.

Estações de trens de Buenos Aires amanheceram com um aviso em telões: “A polícia vai reprimir todo atentado contra a República”. Também cedo, o governo ofertou recompensa de R$ 50 mil a quem desse informação sobre manifestantes que praticassem violência e disse que todos os identificados seriam denunciados por sedição (insurreição), crime com penas de um a três anos de prisão.

A Casa Rosada, sede da Presidência, foi cercada com grades pretas, assim como o Congresso. O governo da capital anunciou na noite de terça (18) que impediria o transito em uma área de 15 quarteirões no entorno do prédio do Legislativo. Manifestantes foram impedidos por operativos policiais de se aproximarem da Câmara e do Senado. Agentes eram vistos em todas as esquinas da região desde cedo.

Durante o protesto, em ao menos dois episódios manifestantes expulsaram pessoas que tentavam agredir policiais ou depredar o espaço público.

Enquanto a manifestação tinha início do lado de fora, do lado de dentro do Congresso os deputados deram luz verde para um decreto do presidente Javier Milei que prevê a assinatura de um novo empréstimo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), medida controversa que passou por 129 a 108, com a oposição sendo contra.

O novo protesto, uma aposta dobrada contra as mensagens emitidas pela Casa Rosada, ocorreu após uma semana na qual o principal debate nacional esteve concentrado nos protocolos de segurança adotados pelo governo. Organizações internacionais como a Anistia e a Human Rights Watch (HRW) criticaram as ações da polícia.

O rescaldo do protesto da quarta-feira anterior foi de mais de cem pessoas detidas e ao menos 45 feridas, sendo que uma, o fotojornalista Pablo Grillo, 35, segue hospitalizado após ser atingido pela cápsula de uma bomba de gás lacrimogêneo lançada por um policial enquanto ele fotografava o protesto. Grillo passou por cirurgia e apresenta melhora; seu pai afirmou nesta quarta-feira que ele passou a respirar sem a ajuda de aparelhos e abriu os olhos.

A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, personagem protagonista dos protestos, negou que o policial tenha culpa pelo grave ferimento do profissional da imprensa e, em documentos oficiais de sua pasta, deu a entender que Grillo estava no lugar errado, na hora errada.

Organizações de direitos humanos afirmam que o policial descumpriu protocolos de segurança. Diversos vídeos feitos em mais de um ângulo mostram que o agende lançou a bomba de gás em linha horizontal, e não a 45 graus em direção ao céu, como manda o protocolo.

Em resposta ao protesto de uma semana atrás, o Ministério da Segurança pediu a inabilitação da juíza que libertou mais de cem detidos, alegando que havia poucos detalhes das prisões e que poderia incorrer em violação do direito de protesto se os mantivesse presos; propôs um projeto de lei para classificar as torcidas organizadas de futebol de associações ilícitas; e denunciou os envolvidos por sedição.

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